Entrevista com Kengo Kuma sobre seus projetos e os rumos da arquitetura

O japonês Kengo Kuma, um dos principais nomes da arquitetura e do design mundial, esteve no Brasil para participar de dois eventos em Curitiba e Em São Paulo.

Kuma, que mantém atividades acadêmicas na Universidade de Tóquio, no laboratório de pesquisa “Kuma Lab”, formou-se na instituição em 1979, e continuou os estudos na Columbia University, em Nova York. O arquiteto também foi professor convidado na Keio Univesity e na Universidade de Illinois.

Seus mais recentes trabalhos incluem projetos como o Centro de Arte em Besancon e o Conservatório de Música em Provence, ambos na França. Também fazem parte de seu portfólio o Granada Performing Arts, na Espanha, e o Museu Victoria & Albert, na Escócia. O arquiteto japonês ganhou diversos prêmios internacionais, entre eles, o International Architecture Awards, na categoria New Global Design.

Confira a entrevista que o Kengo Kuma concedeu à Editora Pini:

Você disse numa recente entrevista que, em 2011, o tsunami no Japão fez você repensar as regras da arquitetura. Em que medida isso aconteceu?

Antes do tsunami no Japão, em 1999, eu acreditava que os arquitetos deveriam ser humildes e respeitar os perigos da natureza. Depois do tsunami, isso mudou e serviu como um gatilho. No século XX, a arquitetura tentou dominar a natureza, mas agora estamos começando a pensar que a arquitetura deve ter uma harmonia com a natureza. A ideia de dominá-la é impossível porque a natureza é muito mais forte do que nós.

Seu trabalho é conhecido pelo uso de materiais como madeira, pedra e bambu. Por que você escolhe trabalhar com esses materiais?

Eu escolhi trabalhar com esses materiais porque eles estão mais próximos da essência do ser humano. O concreto, o aço e o vidro são pesados e frios e eu não me sinto confortável em trabalhar com eles. Eu prefiro usar materiais mais amigáveis ao ser humano como o bambu, papel de arroz e algumas pedras. Às vezes é difícil trabalhar com esses insumos porque eles são mais antigos e de difícil manutenção, mas é possível combiná-los com tecnologias mais contemporâneas.

O que você diria para os estudantes de arquitetura que estão saindo da universidade?

A barreira entre a sociedade e a universidade está ruindo. Para mim, a arquitetura não deve ser entendida como um academicismo, mas sim como um tipo de integração. A arquitetura integra a sociedade e a ciência. Os futuros profissionais têm que estudar como derrubar esta fronteira entre a universidade e a sociedade.

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